Caixa de olho no servidor para aquecer mercado de imóveis

Com baixo histórico de inadimplência, facilidade de comprovação de renda e possibilidade de crédito consignado, o servidor público passou a ser cliente preferencial para liberação do financiamento imobiliário. Na Caixa Econômica Federal, principal agente financiador da casa própria no País, o segmento acaba de receber um incentivo a mais para a compra de imóveis: a ampliação do limite de financiamento de 70% para 80% do valor da transação, com uso de recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Ou seja: captados da poupança, e não do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Na Bahia, onde o setor público sempre representou parcela significativa dos financiamentos da Caixa (cerca de 9% do total), a expectativa é que a medida, anunciada no mês passado, só comece a surtir efeito a partir da segunda quinzena deste mês. “Tivemos, no mês passado, os festejos juninos e o início das férias escolares e da Copa do Mundo, eventos que acabam protelando decisões importantes, como a compra da casa própria”, diz o gerente regional do banco para pessoa física, Ilder Bruno Barbosa.

A Caixa possui R$ 43,2 bilhões em contratos com servidores públicos em todo o País, sendo R$ 190 milhões só na Bahia – segundo informou a superintendência regional da instituição. A expectativa agora é que o segmento ganhe novo impulso. “Já começamos a perceber um certo aquecimento em alguns municípios, como Lauro de Freitas e Camaçari, mas que deve se ampliar daqui para frente também em todo o estado”, diz Barbosa.


Novas regras

Juros – Em abril, houve redução pela Caixa em até 1,25 ponto percentual nas taxas de juros do crédito imobiliário usando recursos do SBPE. As taxas passaram de 10,25% para 9% ao ano, no caso de imóveis do SFH, e de 11,25%  para 10% ao ano, para imóveis no SFI.

Limites – O banco estatal promoveu melhoria das condições no financiamento para pessoa física. O limite de financiamento do imóvel usado sobe de 50% para 70%.

Produção – Foi retomado ainda o financiamento de operações de interveniente quitante (imóveis com produção financiada por outros bancos) com cota de até 70%.

Servidor – Ampliação do financiamento de 70% para 80%.

Bons tempos”

Em Salvador, o escritório da Cunha Serviços e Desenvolvimento, correspondente Caixa Aqui especializado em crédito imobiliário, ainda não registrou aumento da procura por conta da ampliação do limite de financiamento para o funcionalismo público, mas a gerente Graça Cunha também acredita que a medida deve surtir efeito no segundo semestre.

“É mais um estímulo que pode aquecer o mercado, mas nada comparado aos bons tempos de benefícios concedidos à categoria no passado, quando, no caso dos servidores estaduais, por exemplo, havia a opção de financiamento do imóvel em 50% pela Caixa e 50% pela Conder”, lembra.

Assim que a Caixa anunciou o benefício para a categoria, Graça informou à rede de corretores credenciada ao escritório Caixa Aqui, situado na avenida 7 de Setembro. “A medida é nova, e muitos interessados só acabam sabendo da informação apenas por meio do corretor mesmo”, diz.

Baixo risco

O vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-BA), José Alberto Vasconcelos, não tem dúvidas de que a nova regra será benéfica para aquecer o mercado. “Este é um segmento muito interessante para trabalhar e de baixo risco, com fácil comprovação de renda, estabilidade de emprego e baixo índice de inadimplência, além dos convênios que existem com órgãos públicos que permitem até o débito em folha, em alguns casos de servidores federais, por exemplo”, frisa.

“O servidor vem historicamente enfrentando queda na remuneração e precisa, mais do que nunca, de programas que lhe permitam atender a suas necessidades essenciais, como a de moradia, em um país onde o déficit habitacional é uma realidade”, frisa o presidente da Associação de Funcionários Públicos do Estado da Bahia (Afpeb), Armando Campos. Ele considera justa a ampliação do limite de financiamento para a categoria.



Maior estabilidade

“Para muitos, que desconhecem a realidade atual dos servidores, é até visto como uma regalia poder contar com maiores limites de financiamento e juros um pouco mais baixos, mas, na verdade, trata-se de uma necessidade diante da defasagem que muitas categorias de servidores, sobretudo as de renda mais baixa, vêm enfrentando nos últimos anos”, ressalta Armando Campos.

Em outros bancos, a categoria também conta com condições diferenciadas, fundamentadas na maior estabilidade no emprego – fato que, na conjuntura atual brasileira, passou a ter peso decisivo, já que as instituições financeiras, temendo a inadimplência, vêm reduzindo as linhas de crédito e dificultando o acesso em geral, tendo o servidor como opção de porto mais seguro.

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